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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Jessé Nascimento (Sementes de Trovas)

 

A formiga na labuta
nos dá profunda lição;
não se curva ao peso e à  luta,
vive em perfeita união.
= = = = = = = = =

Caminhos, jardins e praças,
flores, cores - que beleza!
Deus derrama suas graças
dando graça à natureza!
= = = = = = = = =

Chora o coração sentindo
tristeza, nunca revolta;
os amigos vão partindo
numa viagem sem volta.
= = = = = = = = =

Com meus sonhos mais singelos
embalados na esperança
venho erguendo meus castelos
desde os tempos de criança.
3° Lugar em Magé/RJ -1995
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Corres tanto, mocidade,
és pela vida levada.
Amanhã serás saudade,
serás velhice, mais nada...
1" Lugar Concurso Estudantil Rio de Janeiro -1995
= = = = = = = = =

Dos outros não dependamos,
mas cada um erga a voz;
a paz que tanto almejamos
começa dentro de nós.
Menção Especial em Israel - 2015
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Leu “Campanha do Agasalho”,
quando por ali passou;
o espertalhão ou paspalho
em vez de deixar, pegou.
6. Lugar, em Cantagalo/RJ - 2017
= = = = = = = = =

Lindo olhar, belo sorriso,
rosto de tal perfeição,
sugere o traço preciso
do Senhor da criação.
= = = = = = = = =

Na dureza da porfia
para moldar minha história,
Deus me abençoa e me guia
para chegar à vitória.
Menção Especial, no Uruguai - 2020
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Na padaria, o cliente:
- O pão está bem "quentinho?"
Com sorriso, a atendente;
- Veja como está "fresquinho".
= = = = = = = = =

Navegando nas poesias,
nas ondas da inspiração,
iço as velas de alegrias
deixo o rumo ao coração.
= = = = = = = = =

No sonho e imaginação,
vou compondo cada verso;
partindo do coração,
viajo pelo universo.
= = = = = = = = =

Num cenário colorido,
cheio de encanto e alegria,
a vida tem mais sentido:
a primavera extasia!
= = = = = = = = =

O genro sempre é quem dança,
a minha sogra é um porre;
o nome dela é "Esperança"
que é a última que morre.
= = = = = = = = =

Por mais que as regras morais
moldem o bom cidadão,
dia a dia os imorais
na vida melhor se dão.
= = = = = = = = =

Pra acreditar foi um custo;
na primeira gravidez,
levou um tremendo susto;
foram cinco de uma vez!
3" Lugar, em São Gonçalo/RJ - 2017
= = = = = = = = =

Quando a razão não alcança
por mais que pareça incrível,
ter fé é ter esperança,
ter fé é crer no impossível.
Menção Honrosa, em Maranguape/CE - 2019
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Quantas vezes nós choramos
por tantas coisas banais...
Mas, jamais nos esqueçamos;
há outros que sofrem mais.
= = = = = = = = =

Que a humanidade resista
ao mal que, sagaz, avança
eu sou poeta otimista:
ainda existe esperança!
Vencedora em Itaocara/RJ - 2020
= = = = = = = = =

Se a tua cruz é pesada
e vives só de lamento,
hás de encontrar pela estrada
outros com mais sofrimento.
= = = = = = = = =

Semelhante a um quartel
tem sido assim minha casa;
minha mulher, coronel
e eu sempre patente rasa.
= = = = = = = = =

Senhor Deus, misericórdia!
Neste conturbado mundo,
nos corações põe concórdia,
mais perdão e amor profundo.
Menção Especial, em Cantagalo/RJ - 2017
= = = = = = = = =

Tenho ciúme e desgosto
quando, à  noite, leve brisa
afaga o teu meigo rosto
e os teus cabelos alisa.
Menção Especial em Niterói/RJ - 2012
= = = = = = = = =

Teu cego e amargo ciúme
que me desgosta e alucina
tem sido o cortante gume
que ao amor leva a ruína.
= = = = = = = = =

Teu olhar, quanta ternura!
Tuas mãos, quanto carinho!
Teu amor, oh, que ventura
pôs a vida em meu caminho.

Fonte:
Enviado por Jessé Nascimento.
Autores diversos da UBT-Angra dos Reis. Sementes poéticas. SP: Daya Ed., 2021.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Jessé Nascimento (Analecto de Trovas)

A formiga na labuta
nos dá profunda lição;
não se curva ao peso e à luta,
vive em perfeita união.
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Caminhos, jardins e praças,
flores, cores - que beleza!
Deus derrama suas graças
dando graça à natureza!
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Chora o coração sentindo
tristeza, nunca revolta;
os amigos vão partindo
numa viagem sem volta.
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Com meus sonhos mais singelos
embalados na esperança
venho erguendo meus castelos
desde os tempos de criança.
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Corres tanto, mocidade,
és pela vida levada.
Amanhã serás saudade,
serás velhice, mais nada...
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Dos outros não dependamos,
mas cada um erga a voz;
a paz que tanto almejamos
começa dentro de nós.
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Leu "Campanha do Agasalho",
quando por ali passou;
o espertalhão ou paspalho
em vez de deixar, pegou.
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Lindo olhar, belo sorriso,
rosto de tal perfeição,
sugere o traço preciso
do Senhor da criação.
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Na dureza da porfia
para moldar minha história,
Deus me abençoa e me guia
para chegar à vitória.
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Na padaria, o cliente:
- O pão está bem "quentinho?"
Com sorriso, a atendente;
- Veja como está "fresquinho".
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Navegando nas poesias,
nas ondas da inspiração,
iço as velas de alegrias
deixo o rumo ao coração.
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No sonho e imaginação,
vou compondo cada verso;
partindo do coração,
viajo pelo universo.
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Num cenário colorido,
cheio de encanto e alegria,
a vida tem mais sentido:
a primavera extasia!
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O genro sempre é quem dança,
a minha sogra é um porre;
o nome dela é "Esperança"
que é a última que morre.
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Por mais que as regras morais
moldem o bom cidadão,
dia a dia os imorais
na vida melhor se dão.
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Pra acreditar foi um custo;
na primeira gravidez,
levou um tremendo susto:
foram cinco de uma vez!
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Quando a razão não alcança
por mais que pareça incrível,
ter fé é ter esperança,
ter fé é crer no impossível.
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Quantas vezes nós choramos
por tantas coisas banais...
Mas, jamais nos esqueçamos:
há outros que sofrem mais.
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Que a humanidade resista
ao mal que, sagaz, avança
eu sou poeta otimista:
ainda existe esperança!
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Se a tua cruz é pesada
e vives só de lamento,
hás de encontrar pela estrada
outros com mais sofrimento.
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Senhor Deus, misericórdia!
Neste conturbado mundo,
nos corações põe concórdia,
mais perdão e amor profundo.
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Semelhante a um quartel
tem sido assim minha casa;
minha mulher, coronel
e eu sempre patente rasa.
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Tenho ciúme e desgosto
quando, à noite, leve brisa
afaga o teu meigo rosto
e os teus cabelos alisa.
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Teu cego e amargo ciúme
que me desgosta e alucina
tem sido o cortante gume
que ao amor leva a ruína.
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Teu olhar, quanta ternura!
Tuas mãos, quanto carinho!
Teu amor, oh, que ventura
pôs a vida em meu caminho.

Fonte:
Autores diversos da UBT-Angra dos Reis. Sementes poéticas. SP: Daya Ed., 2021.
Livro enviado por Jessé Nascimento.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Lélia Miguel Moreira de Lima (Caderno de Trovas)

 

Admirar tanta beleza,
na densa e bela floresta,
não só pela realeza
e nem do que dela resta.
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A prece muito me acalma,
faz dormir a incerteza.
A prece refaz minha alma,
com fé e muita pureza.
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Aquela folha que vaga,
naquela mata, sou eu!
Aquele vento que afaga,
lembra quando eras meu.
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Assim diz velho ditado;
"O respeito é bom e eu gosto!"
Mesmo sendo criticado,
nisto tudo sempre aposto.
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Cada vez que me refaço,
logo fico mais conciso,
e o orgulho ganha espaço,
é tudo que mais preciso.
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Calmamente aparecendo,
se vê a chuva caindo,
mansamente vem chegando,
para o verde ficar lindo.
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Colorida é nossa vida,
cheia de muita esperança,
história muito vivida,
plena de amor e lembrança.
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Ele está sempre a sonhar
que já é um milionário,
não crê que está a pensar
que também é visionário.
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Em berço de ouro nasceu,
em boa hora chegou,
a sorte lhe apareceu
e bons caminhos trilhou.
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Eu quero chorar seu choro,
quero sorrir seu sorriso.
Eu venho implorar em coro,
pois nada foi de improviso.
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Eu quisera nesta vida,
ver amor nos corações,
também andar na avenida,
dos anjos ouvir canções.
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Eu vivo nesta esperança
de jamais ter desencanto.
Bons momentos na lembrança,
é a vida um belo encanto.
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Feliz é estar a seu lado,
seu olhar aquece o inverno,
Sem você tudo é findado,
para mim, será eterno.
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Feliz quem tem esperança,
jamais chega a esmorecer.
A vida, sempre em bonança,
nunca se deixa abater.
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Fuga, refúgio incerto,
se não podemos estar,
é o caminho correto
para o problema enfrentar.
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Impressionante conduta,
sempre com muita coerência.
Sabendo usar a batuta,
incomparável cadência.
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Ipês cobrem a selva,
de mil cores iluminam
e na linda e humilde relva
muitas flores a sublimam.
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Lindos lugares eu vi,
não há como contestar:
Ceará nunca esqueci,
quero o mais breve voltar.
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Neste encontro tão gostoso,
que jamais pensei estar,
com café tão saboroso,
que nos faz aqui ficar.
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Ninguém espera uma crise,
precisamos preparar.
Se pressenti-la, me avise,
não podemos assustar.
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Nós mudamos de morada,
muitas coisas descartamos.
Basta esperar a alvorada
que sempre nos contentamos.
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O galho que me salvou,
sem trevas no meu caminho,
a minha vida elevou
com gratidão e carinho.
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Qual centelha faiscante,
sua amizade, para mim,
mesmo estando tão distante,
encanta como jasmim.
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Quando menos esperamos,
deparamos com mudança,
nossos gostos contrapomos,
partimos para bonança.
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Saudade palavra doce,
anima nosso viver,
bom seria se assim fosse,
bons momentos reviver.
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Sem batom não temos cor,
e sem sol não temos vida,
sem luar nos falta amor
sem saúde falta lida.
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Ter humildade na vida,
sempre com muita esperança.
História tão bem vivida,
cheia de amor e bonança.
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Uma amizade sincera
é difícil encontrar.
Na verdade, eu pensara:
mais fácil, um cão adestrar.

Fonte:
Autores diversos da UBT-Angra dos Reis. Sementes poéticas. SP: Daya Ed., 2021.
Livro enviado por Jessé Nascimento.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Maria Helena Ururahy Campos da Fonseca (Caderno de Trovas)

 

A brisa o perfume espalha
na planície em Goytacazes.
Esse odor de cana e palha
és tu, saudade, quem trazes.
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A esperança que norteia
a vida sempre a girar
é a força que semeia
coragem pra caminhar...
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Anoitecer da jornada,
quando desponta o cansaço,
eu me sinto renovada
no calor do teu abraço.
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Antes de morrer na Cruz,
Jesus Cristo, nosso irmão,
mistério de fé e luz,
partilhou conosco o pão.
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Ao cair da tarde fria,
e quando a luz já se evade
eu tenho por companhia
os suspiros da saudade...
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As luzes do alvorecer,
em matiz resplandecente,
apagam-se ao entardecer,
levando os sonhos da gente...
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Com retalhos de lembrança
eu costurei, sem maldade,
meus amores de criança
com suspiros de saudade...
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Em uma gaiola encanta,
lindo pássaro a cantar!
Sem liberdade ele canta,
porque não sabe chorar...
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E procurando ensinar,
a minha vida passei,
pra no final constatar;
aprendi mais que ensinei.
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Estrela, eterna magia,
que traz à mente esquecida
lampejo que contagia
a saudade adormecida.
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Eu relembro a mocidade
sem perjúrio e sem revolta,
mas como dói a saudade
do tempo que não mais volta…
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Menina, que beijo doce!
Gostoso, vadio, arisco.
Teu beijo é como se fosse
saborear um chuvisco.
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Meu peito pulsa saudade,
sem chance, mas sem revolta,
relembrando a mocidade
que já se foi... não tem volta.
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Meu sorriso de beleza
com o tempo se apagou,
desgaste da natureza,
até meu espelho embaçou.
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Na solidão do meu leito,
quando a esperança se evade,
eu pranteio o amor desfeito,
triste missão da saudade.
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Niterói doce lembrança
que nem o tempo destrói.
Volto ao tempo de criança...
E como a saudade dói!
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Na trilha da vida, as flores
encontradas nos caminhos,
às vezes, trazem sabores,
às vezes, trazem espinhos.
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O abraço por gentileza
é bom até, quando dado,
mas bom mesmo, com certeza,
o abraço do ser amado!
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O ciúme é sal da vida,
não sofra à toa, por favor,
quem não o sofre, querida,
é porque não tem amor.
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O recado tão sonhado
que você tanto esperou
ficou sempre resguardado;
o correio não entregou.
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Privado da liberdade
lindo pássaro cantador,
na gaiola, de saudade,
canta triste a sua dor…
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Quando a bruma surge morna
e anuncia o fim do dia,
a saudade então se torna
a mais triste companhia.
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Quando a vida já findando,
vai levando a nossa história,
o passado vai lembrando
que o viver é uma vitória.
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Rosa flor, beleza ingrata,
nuance, perfume, cor!
Teu espinho que maltrata
mistura beleza e dor.
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Tão longe, triste soava
aquele som cristalino...
Era a saudade, chorava,
nas cordas do violino.
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Um dia a nossa amizade
em amor se transformou:
amor sublime, verdade,
que o tempo nunca apagou...
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Maria Helena Ururahy Campos da Fonseca, acadêmica fundadora do Ateneu Angrense de Letras e Artes e da Delegacia da UBT/Angra dos Reis, onde continua participando ativamente.

Presidiu o Ateneu Angrense de Letras e de Artes por dezessete mandatos (dois anos cada), alternadamente. Pertence, ainda, a outras instituições culturais. Integrou o Conselho de Cultura de Angra dos Reis de 1978 a 1991. Em 2007, retornou ao Conselho de Cultura, representando a setorial de Literatura.

Professora efetiva do Estado do Rio de Janeiro e do Município do Rio de Janeiro na área de Língua e Literatura Portuguesa. Exerceu o Magistério durante 47 anos. Durante a trajetória profissional dedicada ao Magistério, participou de cursos de especialização nas áreas pedagógica, linguística, literária e cultural.

Aposentada, participou do Curso de Extensão Cultural da Mulher, no Clube Militar do Rio de Janeiro, interrompido pela pandemia. Reside em Angra dos Reis.


Fonte:
Autores diversos da UBT-Angra dos Reis. Sementes poéticas. SP: Daya Ed., 2021.
Livro enviado por Jessé Nascimento.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Aparício Fernandes (1934 - 1996)

1
Ah! Se eu morresse, querida,
sentindo os carinhos teus,
teria, na morte, a Vida
que em vida pedi a Deus!
2
A justiça humana é falha!
E reconheço isto a custo...
Se é rico, livra o canalha!
Se é pobre, condena o justo...
3
Amor - mistério profundo
que não se pode explicar.
Mesmo, assim, pobre do mundo
se ninguém soubesse amar…
4
À noite, ó rua, constatas,
em teus silêncios tristonhos,
que, enquanto um cão vira latas,
eu vou virando os meus sonhos!
5
Bem pouca alegria existe
no riso de largos traços.
- Você já viu como é triste
o olhar de certos palhaços?
6
Bodas de Ouro! Nosso beijo
retrata nossa ventura:
o que lhe falta em desejo,
hoje lhe sobra em ternura...
7
Cartas de amor, esquecidas,
contendo um pouco do Céu!
Dois corações, duas vidas
resumidas num papel!
8
Com refulgências estranhas
de ternura e de calor,
são duas gemas castanhas
os olhos do meu amor!
9
Conheço um tipo de fome
que não se farta de pão:
fome de amor! Eis o nome
da fome do coração!...
10
Conselhos, desde menino,
muita gente me quis dar,
mas a cruz do meu destino
quem me ajuda a carregar?
11
Das culminâncias da serra
ao mais profundo grotão,
trago viva a minha terra,
dentro do meu coração!
12
De falhas ninguém se esquiva,
por isso, afirmo sem susto:
há censura construtiva
e muito elogio injusto!
13
Desce a lágrima insistente,
e há sempre alguém que a maldiz!
Mas a verdade é que a gente
chora até quando é feliz!...
14
Desconfio das vitórias
que neste mundo colhi.
- Se as coisas são ilusórias,
quem garante que eu venci?
15
Deserto o mundo seria,
sem vida, luz e calor,
se nos faltasse algum dia
a grande força do amor!
16
Desta saudade infinita
não guardo mágoas, porque
foi a coisa mais bonita
que me ficou de você!
17
Desta saudade, o vazio
parece até que traduz
um velho teto sombrio
filtrando um raio de luz!
18
Dotada de amor profundo,
meiga e doce em seu mister,
- que graça teria o mundo,
sem a graça da mulher?
19
Enquanto os olhos acusam
o desespero de amar,
as nossas vidas se cruzam
como dois barcos no mar!
20
Eu formulo esta sentença
como um libelo à tolice:
antes cego de nascença
do que cego de burrice!
21
Eu trago minha alma aflita,
bem vês o ciúme em meu rosto:
o mal é seres bonita
e os outros terem bom gosto!
22
Felicidade é somente
uma visita apressada
que aparece de repente
e parte sem dizer nada.
23
Foi sempre assim! Escondida
no engodo que a desvirtua,
a Verdade anda vestida
quando a Miséria está nua!
24
Goza, criança, o instante raro
do teu doce alvorecer,
- que a gente paga bem caro
o pecado de crescer!
25
Guarda bem isto na mente,
se a mentira te norteia:
mais cedo ou mais tarde, a gente
colhe aquilo que semeia!...
26
Guia o nauta e o peregrino,
rege os nobres e os plebeus.
- É que o dedo do destino
faz parte da mão de Deus!
27
Há muita gente vaidosa
seguindo o exemplo da lua,
e refletindo, vaidosa,
uma luz que não é sua...
28
Hoje tratam de "Excelência"
quem deixa o povo com fome.
Ou no mundo há só demência,
ou ladrão mudou de nome!...
29
Infância - um reino encantado
onde reside a esperança. ...
E o tempo acaba o reinado,
e a vida muda a criança...
30
Já não adianta ocultares
a febre dos teus desejos.
- Meu bem, há certos olhares
que dizem mais do que um beijo!
31
Lá se vão os retirantes!
Deixam seus campos... seus bois...
- O coração morre antes!
- O corpo morre depois . . . 
32
Liberdade, em ti se encerra
o ideal do poeta aflito
que tem os pés sobre a Terra
e o coração no Infinito!
33
Meditando sobre a morte,
digo aos crentes e aos ateus:
a bondade é o passaporte
que nos conduz para Deus.
34
Meu canto é humilde e meu estro,
numa oração triunfal,
rende graças ao Maestro
da harmonia universal!
35
Meu coração sente frio!
- A saudade o transformou
no leito triste e vazio
de um rio que já secou…
36
Meu pobre pai, alquebrado,
- gigante da minha aurora! –
queira Deus dar-te, em dobrado,
tudo o que me deste outrora.
37
Minha mãe, quando partiste,
Deus, com imensa piedade,
fez do meu coração triste
um altar para a saudade!
38
Nas noites claras de maio,
eu sinto, nitidamente,
que a saudade é como um raio
de luar, dentro da gente...
39
Nesta angústia indefinida,
penso, cheio de amargor:
de que vale o bem da vida,
quando falta o bem do amor?
40
Neste exemplo se presume
um prêmio às almas bondosas:
fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas!
41
Nome dos mais esquisitos,
que, aliás, não foi bem posto;
há na Rua dos Aflitos
uma calma que faz gosto…
42
No sonho estavas sorrindo,
mesmo assim fiquei tristonho:
- de que vale um sonho lindo,
se dura apenas um sonho?
43
Nos trilhos da ferrovia,
ela, brincando, caminha.
- Até que afinal Maria
resolveu andar na linha...
44
Obra prima da Criação,
a mulher - dilema eterno -
é um traço de união
entre o paraíso e o inferno.
45
Ó mãe que tudo perdoas,
corrige teus pequeninos!
- Às vezes, de intenções boas
nascem ladrões e assassinos...
46
Ondas bravias ou calmas,
que estais sempre a soluçar!
- Quem pôs a angústia das almas
dentro das ondas do mar?
47
Os noivos fazem questão
de ter as mãos sempre unidas.
- É fácil unir as mãos...
difícil é unir as vidas!
48
Ó velho mar, são singelas
as tuas fúrias humanas,
comparadas às procelas
do mar das paixões humanas!
49
Para a seca exterminar
no meu Nordeste escaldante,
eu sugiro represar
o pranto do retirante!
50
Parti do Norte chorando,
que coisa triste, meu Deus!
- Eu vi o mar soluçando
e os coqueirais dando adeus...
51
Partiste, sim, mas ainda,
por ironia ou maldade,
ficaste muito mais linda
vestida nesta saudade!
52
Pensando, na tarde calma,
logo me ocorre à lembrança
que a própria vida tem alma,
e a alma da vida é a Esperança!
53
Por mais que o artista se esmere
em seu talento criador,
duvido que ele supere
a perfeição de uma flor!
54
Por mais que o mundo se torça
de angústia, revolta e medo,
Deus revela sua força
mas não conta seu segredo!
55
Por muito amar ninguém morre,
ama, pois, com todo ardor!
- Olha que a muitos ocorre
morrer por falta de amor...
56
Posso entender o martírio
da pureza junto ao mal,
vendo a solidão de um lírio
no lodo de um pantanal.
57
Poucas mulheres entendem
que, no seu doce mister,
muitos destinos dependem
de um sorriso de mulher!
58
Poucos sabem que não sabem
tudo o que dizem saber.
Maiores saberes cabem
nos que sabem sem dizer.
59
Quando adormeço tristonho,
vejo-te em sonhos, querida!...
E a vida fica mais sonho,
e o sonho fica mais vida!
60
Quando me vires sorrindo,
de olhos fechados, sonhando,
- meu corpo estará dormindo...
- minha alma estará te amando...
61
Quanto mais a mulher jura
gostar de homem erudito,
tanto mais ela procura
um tipo burro e bonito!...
62
Quero beijar-te, querida,
e não te deves opor:
- se o amor é a alma da vida,
o beijo é a vida do amor!
63
Que sábio discernimento
neste exemplo se traduz:
a vidraça anula o vento,
mas deixa passar a luz.
64
Redimindo os pecadores,
conduzindo-os para a luz,
o maior dos sonhadores
morreu pregado na cruz!
65
Saudade é isto que existe
nos olhos desse velhinho,
quando, embevecido, assiste
aos folguedos do netinho.
66
Se a caridade ilumina
o semblante da desgraça,
bendigo a graça divina
que criou tamanha graça!
67
Se alguém tiver que sofrer
para que eu tenha ouro e glória,
direi com muito prazer:
- Declino dessa vitória.
68
Se a mocidade se afasta,
não julgue a vida tristonha.
- A ação do tempo não gasta
o coração de quem sonha!
69
Se observo os homens de perto
e analiso os animais,
fico sem saber, ao certo,
quais são os irracionais...
70
Se queres viver tranquilo,
sem muita preocupação,
jamais dependas daquilo
que depende do patrão...
71
Tornam-se mais encurvados
os ombros de um ancião,
quando suportam, cansados,
o peso da solidão!
72
Um sonho às vezes enfeita
o meu destino tristonho.
- Ah, se tu fosses perfeita
como és perfeita em meu sonho!
73
Vejo em teus olhos, criança,
docemente refletida,
uma inocente esperança
sorrindo aos males da vida!
74
Ver-te em sonhos me complica,
não quero ver-te, meu bem!
- O sonho apenas duplica
a saudade que se tem.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Renato Alves (RJ)


1
A água pura não tem cor,
nem branca, nem amarela;
não tem cheiro, nem sabor...
Mas ninguém vive sem ela!
2
Agradeço a quem quiser-me
como eu sou, como um irmão...
Não é na cor da epiderme
que se vê meu coração!
3
Ao receber tuas cartas
uma frustração me invade:
tu me dás notícias fartas,
mas me matas de saudade!
4
Ao repensar minha história,
encontrei com emoção
por trás de cada vitória
um mestre no coração!
5
Ao te encontrar, velha agenda,
lá no fundo da gaveta,
meu passado se desvenda...
És a minha “caixa-preta”!
6
Beleza de mais efeito
que este colar de rainha
tu não tens sobre o teu peito,
dentro dele é que se aninha...
7
Com esplendor natural
e fulgor exuberante,
de uma gota no varal
o sol faz um diamante.
8
“Conhecer não é saber”
- ensina a douta ciência...
”Pôr alma no que aprender” ,
isto, sim, é sapiência!
9
Coração, relógio louco
que registra o meu desejo,
bate muito ou bate pouco,
na medida em que te vejo!
10
De meu pai herdei o nome,
de minha mãe, a ternura;
da pobreza herdei a fome,
a minha herança mais dura!
11
Eis meu desejo ideal,
minha utopia e quimera:
– Ver teus braços, afinal,
abrirem-se à minha espera!
12
Escute a voz da razão:
– Nunca esmoreça, persista!...
É com determinação
que o sonho vira conquista.
13
Mais rápido do que a luz,
através do imaginar,
pensamento nos conduz
a todo e qualquer lugar,
14
Mesmo em meio à dura lida,
fazer versos nos renova:
– Cabe todo o bem da vida
nas quatro linhas da trova!
15
Mil livros já devorei,
mas neles não achei graça,
até hoje eu nada sei...
– Muito prazer, sou a traça!
16
Minha vida era rotina
tão amarga quanto fel,
mas transformou-se, menina,
com sua chegada, em mel!
17
Não diga que é velho alguém
pela idade transcorrida...
Só é velho quem não tem
mais sonhos em sua vida!
18
Ninguém há que saiba tudo,
nem tudo pode saber...
Muito se aprende e, contudo,
há sempre o que se aprender!
19
No campo foi algodão,
tornou-se fio e tecido,
ganhou cor e confecção...
Está pronto o seu vestido!
20
Nunca condenes o irmão
sem de provas ter ciência;
dá-lhe, sem contestação,
a presunção da inocência.
21
O gajo, sendo um velhaco,
engajou-se bem no ofício:
– um cargo de puxa-saco
pra puxar palma em comício!
22
O mar geme nos rochedos
prantos tão desconsolados,
pois guarda muitos segredos
e sonhos dos afogados...
23
O mestre faz da alma um templo
para ouvir nossa oração,
e, assim, mostra que é o exemplo
que ensina qualquer lição!
24
O muro é separação,
produto de preconceito;
se você quer união,
construa pontes no peito!
25
O trabalho é punição,
uma herança do passado...
Deus quis castigar Adão,
e sobrou pro nosso lado!..
26
“O vinho seco faz bem!”
- recomendou sua avó...
E ele foi ao armazém,
e lá pediu: “Vinho em pó!”
27
Pandorga... cafifa... pipas...
tens nomes em abundância,
mas com todos participas
dos sonhos da nossa infância!
28
Planto o grão com uma meta:
- Gerar vida em profusão...
E este ciclo se completa
quando o trigo vira pão.
29
Pode ser pobre ou poeta,
sem perder a autoestima;
mas há de ter como meta
não ter pobreza na rima.
30
Quando a feia se “embeleza” ,
mas o resultado é trágico,
diz o espelho, que se preza:
– Ela pensa quer eu sou mágico!...
31
Quando a humana insensatez
dissemina a poluição,
para ter sol outra vez,
só com imaginação...
32
Quando do meu lar amado
transpus o velho portão,
pedaços do meu passado
espalharam-se no chão!
33
Quando estou no teu regaço,
tu me dás consolo e mel...
Como há sonho em teu espaço,
livro, amigo de papel!
34
Quando o amor é inconsequente,
nas mais tórridas paixões,
pode fundir-se a corrente
que liga os dois corações!
35
Quem de si não cede nada,
no céu não terá lugar.
Coisa mais abençoada
do que receber... é dar!
36
Quem não tem medo da morte,
quem nunca faz nada em vão,
quem, antes de tudo é um forte...
Este é o homem do sertão!
37
Que nome você daria
ao que sente a mãe que chora
ao pé da cama vazia
de um filho que foi embora?...
38
Razão e Emoção, na gente,
são irmãs, mas não se dão:
a primeira habita a mente,
a segunda, o coração!
39
Se és de fato um vencedor
deves sempre ter em vista,
não o prêmio e seu valor,
mas o prazer da conquista!
40
Se és duro de coração,
não perdes por esperar:
do céu só terá perdão
quem é capaz de perdoar.
41
Ser poeta é transformar
a palavra em brasa ardente
para com ela queimar
a emoção que está na gente!
42
Se tens pela vida apreço,
não entres na droga braba!
Tu decides o começo,
mas não sabes como acaba.
43
Sigo, no delírio infindo
da saudade que me arrasa,
uma só música ouvindo:
os teus passos pela casa!
44
Sob chuva ou sol que abrasa,
como nos tempos antigos,
o portão da minha casa
não se fecha aos meus amigos!
45
Tal qual pérola valiosa
que na ostra tem morada,
minha alma tão pretensiosa
mora no peito da amada.
46
Te enfeiticei, fui omisso,
quis um “caso” passageiro;
mas o Amor fez o feitiço
virar contra o feiticeiro!
47
Ter fé, amor, otimismo
e uma inabalável crença
nos faz saltar sobre o abismo
de qualquer indiferença!
48
Terrível palavra é o “não”
que corta, poda, cerceia...
Feliz quem, no coração,
traz o “sim” que a paz semeia!
49
Trovador que espalha o sonho
que lhe mora n’alma inquieta
confessa ao mundo, risonho,
a bênção que é ser poeta!
50
Tua pele o vento alisa,
sensual, com seu frescor.
Como eu invejo esta brisa
que te alisa, meu amor!...
51
Tu me prendes, me agrilhoas,
me escravizas sem sentir,
mas destas algemas boas
eu não pretendo fugir..
52
“Vitamina está na casca!”
-De um comilão eu ouvi...
E quase que ele se enrasca
ao comer abacaxi!
53
Voltei a ter confiança
neste mundo tão ruim
ao descobrir a criança
que ainda habitava em mim!

sábado, 1 de maio de 2021

J. G. de Araújo Jorge (1914 - 1987) (2)


Ah, quando escuto teus passos
meu coração se acelera,
que um só minuto em teus braços
compensa a angústia da espera!

Ah, trova com quem me enleio...
- Tens um gingado qualquer
Que lembra esse bamboleio
Do corpo de uma mulher...

Amor que tudo promete,
falso amor das Colombinas:
-juras e beijos: confete!
Abraços - de serpentinas!

Ao ler uma bela trova
depois que pronta ficou,
- quem calcula a dura prova
por que o poeta passou ?

A poesia que desejo
tiro de mim como aquela
cantiga do realejo
se alguém roda a manivela...

Às vezes penso que a vida
que há tanta gente a querer
só existe, - indefinida -
pra gente poder morrer...

A todos prende e cativa,
E não se rende a qualquer...
- É pequena, mas esquiva...
... Não fosse a trova, mulher...

A Vida - ansiosa escalada
sobre a paisagem do mundo
Tanto esforço para nada
se há sempre abismo no fundo!

A Vida, - mistério vão
sombra agora, depois luz,
- estranho traço de união
ligando um berço... a uma cuz!

A Vida - uma onda que avança
e volta, vai-vem do mar...
Quando vai, quanta esperança!
Quanta amargura, ao voltar!

A Vida - visão fugaz,
praia chã, mar que alteia,
onda que faz e desfaz
os seus cabelos de areia...

Cão de guarda, ameaçador,
a rosnar, furioso e cego
eis afinal, meu amor,
este ciúme que carrego...

Coração – pobre realejo –
com canções velhas e novas...
Tudo o que sinto, e o que vejo,
vais tocando.. . em minhas trovas...

- "Crê na Vida"- eis o conselho
da esperança ante a desgraça,
se a face do fria do espelho
de calor ainda se embaça...

Diz que é rico... Pode ser...
Mas pode ser que não seja...
Ser rico é apenas poder
fazer o que se deseja...

Do amor e da desconfiança
infeliz casal sem lar,
nasceu o ciúme, - essa criança
tão difícil de educar...

"Dosado", o ciúme é tempero
que à afeição da mais sabor...
Mas, levado ao exagero,
é o pior veneno do amor...

E eis a suprema ironia
ao meu coração ferido:
- tu foste trair-me um dia,
mas, com quem? - com teu marido...

Eis a arte de viver
num conselho dos mais sábios:
às vezes, para vencer
basta um sorriso nos lábios...

Eis como o ciúme defino:
mal que faz mal sem alarde
corte de alma, muito fino,
que não se vê... mas como arde!

Esperava tanta luta
e tão pouco foi preciso:
ao invés da força bruta
ele empregou... um sorriso...

Fantasia eu próprio sou
e há um contraste dentro em mim:
- carrego um velho Pierrot
num atrevido Arlequim!

Gota d'água transparente
que brilha, cresce...e que cai!
Assim a vida da gente
que num instante se vai!

Há uma ironia, contida
nas contigências da sorte:
- quanto mais se vive a vida
mais se avança para a morte.

Livre da dor, do desgosto,
mais feliz o homem seria
se assim como lava o rosto
lavasse a alma todo o dia.

“Matar saudades”, querida
é uma expressão, simplesmente,
pois, em verdade, na vida,
saudade é que mata a gente.

Meu terço feito de trovas
Que em versos fico a compor,
Com ele rezo, e dou provas
Do meu culto ao teu amor!

Moeda de estranho valor
que o coração faz cunhar:
quanto mais se gasta o amor,
mais se tem para gastar!

Não tinha paz nem descanso...
O amor... a vida.... – Voragem !
Hoje, a saudade é um remanso
a refletir a folhagem...

Nem tanta coisa é preciso
para evitar-se um revés...
- Tão pouco... basta um sorriso
e eis todo mundo a teus pés...

Nessa eterna e dura lida
renasço a cada momento
lavando as dores da vida
no rio do esquecimento...

Nesse jardim de surpresas,
que foi o amor que me deste,
as violetas são tristezas,
minha saudade, um cipreste.

No meu carro vou tranquilo,
tenha a estrada sombra ou luz,
pois bem sei que, ao dirigi-lo,
eu dirijo... Deus conduz!...

Numa amizade perdida,
num amor que se desgraça,
a morte desconta a vida
a cada dia que passa!

O ciúme, desajustado,
por louco amor concebido,
era uma amante, (coitado)
a padecer... de marido!"

Onde o sonhar de outra idade?
A fé que tive, e perdi?
Hoje chego a ter saudade
daquele... que já morri...

Ó pobre vida suicida!
Teu destino é uma ironia
se o que chamamos de vida
é um morrer de cada dia!

Paro, as vezes, num momento
feliz, que se vai embora,
e enquanto o vivo, a perde-lo,
sinto saudades... de agora.

Perigoso, onipotente,
verdadeiro ditador...
o ciúme é um cego, doente,
ou um doente, cego de amor?

Pobre alma triste a cativa !
E há quanta gente como eu
a pensar que ainda está viva
sem saber que já morreu.

Poesia, flor de mistério
que brota do coração
e abre as pétalas de etéreo
no céu da imaginação.

Por certo a pior solidão
É aquela que a gente sente
Sem ninguém no coração...
No meio de muita gente...

Por duas Marias erra
meu viver de déu em déu:
- a que me perde, na terra,
- a que me me salva, no céu.

Praias longe, em solidão
Fora de todas as rotas,
Tal como o meu coração
Só como o sonho... das gaivotas...

Que eu não tenho coração
não és tu, sou eu que digo...
-Como hei de ter coração
se tu o levas contigo?

Rico eu sou, mesmo sem ouro
E da riqueza, dou provas,
- eis aqui o meu tesouro:
Minha sacola de trovas.

Rosas tolas, tão vaidosas,
que em belas hastes vicejam...
Vem, amor, olha estas rosas,
quero que as rosas te vejam!

Saudade, - estranha ilusão,
que a solidão recompensa,
presença no coração
maior que a própria presença...

Sejam felizes ou não
Cantando instantes diversos,
As trovas do coração,
são trevos de quatro versos.

Tão simples, as trovas são
Cantigas com que a alma expande
Tudo o que há no coração
Do poeta - um menino Grande.

Tudo é trova: a flor, a onda,
A nuvem que passa ao léu
E a lua, trova redonda
Que a noite canta no céu!

Tu queres mais, sempre mais...
Sê comedido, prudente...
Até o bem quando é demais
acaba enjoando a gente...

Vi teu retrato, - revivo
um velho amor que foi meu...
A saudade é um negativo
de foto que se perdeu...

Vive a vida bem vivida
e ao mais, esquece e revela,
que a gente leva da vida
a vida que a gente leva...

Vivo a vida cada dia,
vida comum, sem engodos,
por isto a minha poesia
reflete a vida de todos

Você quer mesmo saber
como a vida se levar ?
Pois é... primeiro viver...
e depois... filosofar...

Vou pisando folhas mortas
sem amanhã... Sigo a esmo...
Fecham-se todas as portas...
Sou o fantasma de mim mesmo...

Lairton Trovão de Andrade (Descontraindo em versos)

01. Destrua a melancolia, pois a vida se renova! Contra a tristeza, Maria, beba chazinho de trova! 02. O plagiário é caricato que no mundo s...