terça-feira, 7 de março de 2017

J. B. Xavier


1
A beleza da poesia
- Eu vou contar p'rá você -
não vem da mente que a cria,
e sim, d'alma de quem lê!
2
Acalanto, graça plena,
de um amor que não esqueço -
tempestade na serena
bonança que não mereço
3
A falsa humildade é feia,
raramente é uma façanha;
geralmente é um grão de areia
se dizendo uma montanha. 
4
Agradece todo dia
por teu riso e por teu pranto,
porque Deus não te daria
senão um doce acalanto...
5
A mais formosa das flores
não emite um só queixume
e mesmo por entre dores
não se extingue o seu perfume
6
Ao conforto acorrentado,
quem se prende corta acesso,
ao caminho acidentado
que levaria ao sucesso!
7
Arrefece esse teu passo.
Sê feliz na sozinhez,
e caminha no compasso
de um passo de cada vez…
8
As verdadeiras lições
que a mim meu pai ensinava,
não vinham dos seus sermões,
mas de quando ele calava.
9
Bem que tentei. Tentei tanto
te esquecer, sem conseguir.
E em mim, por este meu pranto
continuas a existir
10
Bendito aquele que aprende
ao receber uma ofensa,
sem repreender quem ofende
nem julgar o que ele pensa!
11
Chovia na despedida,
e, na chuva  que caía,
eu vi minha própria vida
que com ela se esvaía…
12
Cristo morreu numa cruz
e de Maria, o seu pranto,
até hoje em nós reluz
como um divino acalanto.
13
Dando-me adeus, o acalanto
retirou-me a claridade
deste amor, que por meu pranto,
já começou com saudade.
14
De tudo, apenas a dor
e um acalanto restou
do que foi um grande amor
que existiu e que acabou.
15
Doce acalanto, a Verdade,
escorreu daquela cruz,
redimiu a humanidade
e levou-a para a Luz!
16
Filhos felizes, sorrindo,
em alegre correria
são o acalanto bem-vindo
do amor, colorindo o dia...
17
Heresia é não amar,
é deixar, no coração,
lentamente, se apagar,
o fogo d’uma paixão!
18
Hoje trago na lembrança
uma dor que sobrevive
num fiapo de esperança
pelo amor que nunca tive
19
Mesmo na rua, o mendigo
que moureja, e cujo pranto
grita pedindo um amigo,
é o mais sublime acalanto!
20
Meu pai nada me falava
quando me via nervoso.
Aprovava ou reprovava
num olhar doce e bondoso.
21
Meu pai me ensinou:”Reflita!”
Nunca esqueci a lição:
“a velhice não se evita.
maturidade é opção!” 
22
Na clausura da existência,
das prisões que nos impomos,
um devaneio é a essência
do que pensamos que somos!
23
Não dou conselhos na luta
que cada um realiza,
pois nem o tolo os escuta
e nem o sábio precisa.
24
Não há dor mais dolorida
do que a tristonha aparência
de quem matou pela vida
a sua própria inocência
25
Não haverá sociedade
que possa ser construída
sem a fé na humanidade
e o respeito pela vida!
26
Não importa a circunstância,
cuidado ao dar o teu passo.
É muito curta a distância
entre sucesso e fracasso! 
27
Não olhes no exterior:
Armani, Chanel ou Boss.
Elegância vem do amor
que nasce dentro de nós!
28
Nesta luz que escurecia
meu passado futurista
a plenitude vazia
dava a derrota à conquista.
29
No volteio dos ponteiros
num sublime amanhecer
os minutos sorrateiros
não me deixam te esquecer...
30
Numa discussão atroz
pense só por um momento:
Não levante o tom de voz,
melhore o seu argumento!
31
Pensemos bem, porque a vida
se feliz, com graça e canto,
se infeliz ou se sofrida
é o mais sublime acalanto!
32
Quem compõe versos amenos
Que os acalantos coleta,
Parece que morre menos
como nos disse o Poeta...
33
Se for teste, meu Senhor,
o viver nesta fornalha,
tu verás que a fé e o amor
de um nordestino não falha!
34
Segue a vida o seu encanto,
às vezes nem merecido,
cantando o seu acalanto
para o mundo sem ouvido...
35
Sem ti minha vida passa
sem o riso e sem o canto
qual brilhante, que sem jaça
é meu eterno acalanto...
36
Solta o amor que tanto amaste
e que preso mantiveste.
Se voltar o conquistaste,
se se for, nunca o tiveste...
37
Sublime, a rosa sem jaça
lança ao lírio seu perfume
e o vento brando que passa
aspira, pleno de ciúme...
38
Um filho a dormir, e ao peito,
um livro aberto caído,
é o acalanto perfeito
que um pai sonha, agradecido...
39
Um sorriso, uma indulgência
um gesto ingênuo de adeus...
por onde houver inocência
há um pedacinho de Deus...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Irene Lopes Guimarães


1
A prata dos meus cabelos
é o tributo que ganhei
pelas horas de desvelos
que a meus filhos dediquei.
2
A vida é muito restrita,
sequer se aprende a viver.
Quando a gente se habilita,
já é tempo de morrer.
3
Doutora, artista ou atleta…
Pode a mulher ser a “tal”;
mas ela só se completa
no trabalho maternal.
4
É Natal na terra inteira,
é Natal no meu Brasil!
Cesse a guerra na trincheira!
Cale a boca do fuzil!
5
Estas palavras bonitas
que eu escrevo com fervor,
com fervor por mim são ditas:
Deus, Fé, Brasil, Paz e Amor!
6
Eu encontrei certo dia,
em horas de tempestade,
o meu sonho que morria
nos braços de uma saudade.
7
Já tive muita esperança,
mil sonhos acalentei!
Hoje, vivo da lembrança
desses sonhos que sonhei.
8
Joga o destino comigo
um jogo sem lealdade,
pois não é meu inimigo
e me trata com maldade.
9
Me ceguem, me façam mudo,
me roubem todo o Universo,
me tirem, me roubem tudo
mas não me roubem meu verso!...
10
Meu destino caprichoso,
mas pobre de inspirações,
fez-me um livro volumoso
de velhas desilusões.
11
Mil caminhos percorridos,
mil retalhos já deixei
dos sonhos desvanecidos
nas renúncias que abracei...
12
Minha casinha tão pobre
serve de abrigo a esperanças:
– Dinheiro embora não sobre,
sobram risos de crianças!
13
Na mortalha não há bolso,
nem há cofre no caixão:
– Se você é ambicioso,
contenha sua ambição.
14
Não coleciono por gosto,
nem é por obrigação,
mas somente de desgosto
é que eu faço coleção!
15
Não deves viver a esmo,
procura, pois, viver certo.
– Pior perder-se em si mesmo
que perder-se num deserto.
16
Não há dinheiro que pague
sinceridade e afeição.
E não há tempo que apague
a dor de uma ingratidão.
17
Nascesse o fruto maduro,
fosse doce a água do mar,
mesmo assim eu asseguro:
iria alguém reclamar.
18
No meu jeito de viver,
e no meu modo de agir,
evito sempre dizer
o que não desejo ouvir!...
19
Por uma estrada comprida
um carro segue gemendo...
Triste ironia da vida!
Os bois é que vão sofrendo...
20
Quando a pessoa é vulgar,
deixa logo perceber:
Não faz mais que copiar
o que não consegue ser.
21
Quando gritou “Terra à vista!”
Cabral já havia sonhado
ser o primeiro turista
desse Brasil encantado.
22
"Quem duvida perde a vida"
é um ditado popular.
A vida sempre é perdida
para quem não sabe amar...
23
Quem me dera a liberdade
das folhas soltas ao vento
do coqueiro da saudade
que habita meu pensamento!
24
Se tu não podes ser flor,
não queiras ser um espinho:
segue semeando amor
ao longo do teu caminho.

domingo, 5 de março de 2017

Ieda Lucimar Mastrângelo Corrêa


1
Anunciou: "É um assalto!"
com voz grossa, de machão,
sem tirar o salto alto,
...e aquele gesto de mão!…
2
Contam meus olhos vermelhos
que sofro, à tua passagem...
São teus olhos dois espelhos
que recusam minha imagem!...
3
Dona Cocota, que é "crente",
fica toda enfezadinha
se o seu velho diz, fremente:
- Vem cá, minha "cocotinha"!
4
Do tempo que passa, queixa-se
o velhinho, que é um espeto,
mas ouviu a ordem: "Mexa-se"...
e desmontou o esqueleto!
5
Eu te perdoo, confesso,
pelas recusas constantes:
É com "nãos" que eu sempre meço
a estrada azul dos amantes…
6
Hoje que a vaca Mimosa
'pula a cerca" e "esconde o leite",
o touro, perdendo a prosa,
instaurou um "Chifregate'…
7
Meu peito é casa vazia,
onde a incerteza, covarde,
bane a esperança do dia
achando sempre que é tarde...
8
Nada adianta tua escusa!
Cada não é novo ensejo:
- Vou, de recusa em recusa,
escalando o teu desejo!
9
Na minha sina vadia,
onde do tedio estou farto,
tu regressas cada dia,
entre as sombras do meu quarto.
10
Não meça nunca o tormento
pelo clamor mais pungente:
- Meu bem... o pior lamento
morre no leito... Silente!
11
Não peças perdão agora,
nem me fites de olhar triste:
- Regressa quem foi embora...
Tu, daqui, nunca partiste...
12
Nas nossas vidas amantes
a minha história se lê,
dividida toda em antes
ou em depois de você!
13
Na vida se descortina
o mais sublime mister:
- Num momento... ainda menina,
noutro momento... a mulher!
14
Nesta eterna sinfonia
de amanhãs, o grande mal
é esperar, a cada dia,
o som do acorde final!...
15
No leito de amor tão farto,
mesmo o dia mais cinzento
põe luzes dentro do quarto,
brilhando em cada momento.
16
Nosso amor, tal qual a prece
que a paz emana e irradia,
espalha um ar de quermesse
nas tardes de qualquer dia!
17
O amanhã não tem direito
de truncar nossos caminhos...
como pode o amor perfeito
medrar por entre os espinhos?...
18
O sonho talvez fugisse
da Humanidade descrente,
se um "depois" não existisse
na vida de tanta gente!
19
Outro cigarro... e a fumaça
dançando em meu devaneio,
lembra a mágoa que não passa,
lembra você... que não veio!
20
Palmilhando os descaminhos,
eu me cansei na viagem:
Mendigo de mil carinhos,
mil recusas na bagagem...
21
Teu desdém, naquele adeus,
fez-me este ser que padece,
tão infeliz, que até Deus
recusou a minha prece!
22
Toda mulher se concentre
nesta glória desmedida...
de ter no altar do seu ventre
o amanhã de nova vida!
23
Vida que sempre ensinais,
deusa potente que sois,
fazei que o meu "nunca mais"
tenha o sabor de um "depois"!
24
Volto à casa que é tão tua,
buscando amor em teus braços,
e até as pedras da rua
já reconhecem meus passos!

sábado, 4 de março de 2017

Heloisa Zanconato Pinto


1
A centelha do ciúme
transformou-se em fogaréu.
Queimou-me o peito... E seu lume
pôs o inferno onde era o céu!
2
A lei da vida nos diz
que, entre o instinto e a prudência,
é sempre o melhor juiz,
nossa própria consciência!
3
A ofensa mais dolorida,
que à humilhação se compara,
é quando a mão estendida
leva uma "porta na cara"!
4
Ao ler o verso perfeito
que algum poeta escreveu,
brota-me o ousado direito
de achar que a Musa fui eu!!
5
Após o parto, o marido
vendo o nariz da criança,
saiu buscando, ofendido,
um turco na vizinhança!
6
A saudade me garante,
já que a tristeza persiste,
que eu devo, de agora em diante,
me acostumar a ser triste!
7
A tristeza mais pungente...
aquela que ninguém vê,
é a que dói dentro da gente
e a gente sabe por quê!
8
Ciúme - diz o ditado
é o tempero do amor.
Mas, se não for bem dosado
toma indigesto o sabor!
9
Dando, à solidão, guarida,
na amplidão de seus portais,
as noites de minha vida
ficaram longas demais!!!
10
É meio a meio, eu garanto,
a culpa de meus pecados,
pois só deixei de ser santo
quando aceitei seus agrados!
11
Eu não sou Mago, nem Santo,
mas na magia do amor
hei de quebrar teu encanto;
fazer-te escrava... e, eu, Senhor!
12
Feito a chama de uma vela
que se esvai no alvorecer,
qualquer poder se esfacela
ante o Supremo Poder! ...
13
Gente existe emque o entalho
de um visual elegante
apenas lustra o cascalho
mas não o torna um brilhante!
14
Magoei afetos, trilhando
rumos, os mais incorretos...
E agora pago, penando
nas garras dos desafetos!
15
"Meu bem - indaga o marido -
o que é brega...que eu não sei?"
“É aquela saia, querido,
que me deste e eu nunca usei!”
16
Não busque ocultar os traços
do amor, com farsa nenhuma...
Se me prefere em seus braços,
tire o disfarce... e me assuma!
17
Na solidão que, hoje resta,
em meio à casa vazia,
eu bebo as sobras da festa
que nós tivemos um dia!
18
Na vida, faço e desfaço
duras laçadas sem medo,
porque no ajuste do laço
é Deus quem me empresta o dedo!
19
No ardor com que me devora,
esse amor, sinto, afinal,
que se foi delírio outrora...
hoje, é loucura total!!!...
20
Nosso conflito, suponho,
deu-se em razão de um defeito:
coração, é que o teu sonho
era maior que o meu peito!
21
O afeto mais eloquente
que a vida nos pode dar
é o que expressa a mãe da gente,
numa canção de ninar!
22
O ciumento: - Não, senhora,
nada de roupa moderna!
Quer pôr barriga de fora?
Ponha a barriga da perna!
23
O Destino se afigura
aquela torre elevada
que oferta o gozo da altura
pelo suplício da escada!…
24
O nosso amor clandestino,
vivendo à mercê da sorte,
viaja pelo Destino
sem carimbar passaporte!...
25
O solitário modera
seus passos no viajar.
Quem não tem ninguém à espera,
não tem pressa de chegar!...
26
Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! ...
27
Para inseri-la entre as flores,
Deus, empunhando a paleta,
pintou um mundo de cores
nas asas da borboleta!...
28
Parece que um anjo arruma,
no céu, a luz das estrelas:
de dia, apaga uma a uma...
E à noite, torna a acendê-las!
29
Porque, sempre, nas vitórias,
logrei o apoio de alguém,
eu reparto as minhas glórias
com meus amigos também!
30
Qual seria o saldo bruto
da nossa conta corrente,
se Deus cobrasse tributo
pelas fraquezas da gente?!
31
Quando ao amor te recusas,
a inspiração não acordas...
Porque poetas sem musas
lembram violas sem cordas!
32
Quando a sorte traiçoeira
cresta o fogo da ilusão,
volto a ser a Borralheira
entre as cinzas do fogão!
33
Quando, formal, eu te abraço,
tu nem percebes, suponho,
o quanto eu sinto que enlaço
a forma viva de um sonho!
34
Se ao romance eu me refiro,
a moçada de hoje em dia
me responde que suspiro
se encontra... em Confeitaria!
35
Seja cobrado... ou de graça,
num paradoxo profundo,
por melhor que algo se faça,
não se agrada a todo mundo!
36
Sendo esquelético, feio,
ao cemitério não vai,
pelo devido receio
de que se entra... não sai!
37
- Se um dia eu virar defunto,
vou ser na rede, enterrado.
- Que melhor caixão, pergunto,
pra quem viveu "pendurado"?...
38
Sol a pino, castigando...
Terra seca do sertão!
E o nordestino chorando...
Só seu pranto molha o chão!
39
Tu és a chuva voltando
após os meses de estio...
E eu, o rio te esperando
naquele leito vazio!
40
Unem-se povos irmãos
num gesto nobre e fecundo,
cuja corrente de mãos
faz-se o suporte do Mundo!
41
Vai à luta enquanto é cedo
que amanhã já será tarde
e, da semente do medo,
terá nascido um covarde!
42
Vendo chegar a saudade
que a tua ausência me trouxe,
mesmo não sendo verdade,
gravei na porta: MUDOU-SE!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Hegel Pontes (1932 - 2012)


1
A honra é uma imagem casta
dentro do espelho do Bem:
- Se a gente dele se afasta
ela se afasta também...
2
A lágrima comovida
que vem de dentro de nós,
é uma palavra sofrida
que chega aos olhos sem voz.
3
A quiromante não lia,
ao fazer a predição,
que o destino me daria
justamente a sua mão.
4
A voz dos ventos distantes,
dentro das conchas do mar,
são preces de navegantes,
que não puderam voltar.
5
Cidade Poema, eu queria,
 já que a fonte não se esgota,
 beber o encanto e a poesia
 que até de seu nome brota.
6
Como a gaivota perdida,
que o vento arrasta nos braços,
perdi o rumo da vida,
quando seguia teus passos.
7
Com que ironia o destino
 pode este quadro pintar:
 De um lado, um lar sem menino;
 de outro, um menino sem lar.
8
Conversas de marinheiros
 ouço nas conchas do mar.
 São almas de jangadeiros
 que não puderam voltar.
9
Depois da falsa meiguice
e dos falsos beijos seus,
“Adeus”; sem graça, ela disse,
e eu disse: - Graças a Deus!
10
É noite em nossa favela
e o vento, em leve rumor,
apaga a chama da vela
e acende a chama do amor.
11
Felicidade, és somente
meu horizonte fugaz:
quando dou um passo à frente
dás um passo para trás...
12
Inconstante como o vento,
o tempo não nos perdoa:
Se vamos mal, ele é lento;
se vamos bem, ele voa!
13
Jogou, perdeu, e hoje sabe,
vivendo um natal sombrio,
que a consciência não cabe
num sapatinho vazio.
14
Longe de tudo, sozinho,
após tantos vendavais,
eu sou um velho moinho,
que o vento não move mais…
15
Madrugada… e tens no olhar
estrelas a refulgir.
- Fecha os olhos, devagar…
que elas precisam dormir.
16
Não julgues pelo semblante
A honra alheia, meu filho:
- Na lua, a face brilhante
oculta a face sem brilho!
17
Nesta noite nordestina,
quando o luar me arrebata,
é lindo ver a salina,
toda banhada de prata.
18
No beco dos infelizes,
se houver saída, me aponte:
- quem vive sob as marquises
não vê céu nem horizonte...
19
Noel Rosa, esse talento,
partiu da Vila tão cedo…
Mas, por Noel, canta o vento
e dança até o arvoredo.
20
O cego, na estrada escura,
vai tateando... e sua mão
parece que faz ternura
na face da escuridão!
21
O drama da despedida
foi termos, ambos, notado
tua lágrima fingida
e o meu sorriso forçado...
22
O sino é um ser sem razão,
que não tem razão de ser:
quando pára um coração,
ele começa a bater...
23
Partiste e chovia tanto!…
mas entendi na saudade
que a leve gota de um pranto
molha mais que tempestade.
24
- Pescadores, foi milagre!
E o fanfarrão se gabava:
- Só a foto do meu bagre
mais de dez quilos pesava
25
Quando a vejo sobre o monte,
qual pipa vagando ao léu,
pego a linha do horizonte
e empino a lua no céu!
26
Quando é puro o sentimento,
quem faz o bem, faz de graça
e é discreto como o vento
que move o moinho e passa…
27
Quando sai de madrugada,
sabe o filho a direção,
se o pai deixou pela estrada
suas pegadas, no chão.

Lairton Trovão de Andrade (Descontraindo em versos)

01. Destrua a melancolia, pois a vida se renova! Contra a tristeza, Maria, beba chazinho de trova! 02. O plagiário é caricato que no mundo s...